Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de julho de 2011

SONETO 141 – SHAKESPEARE



 Na verdade, eu não te amo com meus próprios olhos,
porque vejo em você um monte de defeitos;
mas é meu coração que ama o que eles desprezam
Que ao invés de ver se contenta em se apaixonar.
Nem meus ouvidos  com o som de sua língua se encanta,
Nem sentimento carinhoso é despertado por um simples toque,
nem gosto, nem um cheiro provocante surge
Em algum deleite sensual contigo sozinha;
Mas nem os meus cinco juízos, nem os meus cinco sentidos
Podem impedir o meu coração insensato de te servir,
tendo perdido toda a
forma humana,
reduzido a um escravo miserável e vassalo orgulhoso do seu coração.
Apenas em que eu considero a minha praga boa:
Que ela faça minha dor merecedora de pecado.

domingo, 1 de maio de 2011

'' O fato resumido é que o amor...


"O fato resumindo é que o amor não era mais aquele estardalhaço.

O amor era suave e tinha um jeito de penetrar sem invadir, de libertar no abraço.
O amor não era mais aquela insônia, mas sonho bom na entrega ao desconhecido.
O amor não era mais a iminência de um conflito, mas uma confiança na vida.
E, pela primeira vez, o amor não carregava resquícios de abandono, pois havia descoberto:
o amor estava ali porque ambos estavam prontos."

                                                                                                 Marta Queiroz

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


”Não contam os contos de fada que à meia-noite o feitiço não se acaba e que a princesa não precisava ir embora, nem esquecer o sapatinho na escada. Nos contos, as fadas também não contam que a abóbora nem sempre é carruagem e que o príncipe não procura num cavalo branco o pezinho da sua amada. Com sua licença, senhora fada… Acho neste conto que, de boba, a princesa não tem nada, mas quer, para cada pergunta, uma resposta...”

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011


"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar."

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Não sei se isto é amor

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
[...]
Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
[...]
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...


Trechos do poema de Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...